sábado, 19 de fevereiro de 2011

SEXTA-FEIRA 13


Treze esferas eu vi...
Em negra noite sem estrelas ou luar...
A chegada da besta senti...
Em minha pele pairava seu olhar...

Em treze espelhos eu vi...
Uma imagem, em lembrança, refletir...
Não, não eram meus aqueles traços...
Não, não era eu em falso passo...

Retinas múltiplas a me julgar...
Alma exposta em pecados nus...
Crueldade que faz jus...
Ao prazer de condenar...

Distorcidos, reconheci...
Os treze rostos diante de mim...
Diversas fases, vivi...
Treze foices, meu fim...

Aqueles olhos me acusavam...
Aqueles dentes me chamavam...
Trezes esferas a olhar...
Treze foices a retalhar...

Carne crua digerida...
Alma impura absorvida...
Chama ardente a consumir...
Último fio a fluir...

Satisfeita, a besta parte...
Até o próximo encontro...
A sexta treze tece a arte...
Do maior e mais nefasto monstro...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

ORAÇÃO E MALDIÇÃO


Distinta dama de pálida face

De vontades sutis, envolta em disfarces

Quero-te aqui ao meu lado

Ouça minha voz, um triste chamado


Plena e branca se mostra

Estampada no escuro

Quer de mim uma amostra

Já não sou inseguro


Ao livrar-me das frias correntes

Da ardência que sufoca

Procuro o clamor silente que me abraça

Que me afaga e desloca


Busco em ti a branca luz

Enlace em refúgio e conforto

Arranque de mim essa casca

Não vês que assim estou morto?


Triste máscara

Um vazio a me acompanhar

Fragilidade exposta

Que o tempo não pode curar


Eternos grãos, maldita areia

Longa tortura que consome

Ansiedade que incendeia

Lamentos em dias insones


Contigo, alva dama, nada temo

Sou uma sombra a vagar

Em minhas veias, teu veneno

Pleno néctar a me abençoar


Herança viva em segredo

Escuridão a ocultar

Em meu peito não há medo

Só distância, a dor de te esperar


Em fases vens

Mínguas, em opaca presença

Ciclo amargo, eterna sentença

Por que tardas? Não vês que me tens?


Rosto liso, pele clara

O tempo insiste em guardar

Esconde-te, de ti me separa

Já não posso suportar


Sou teu escravo, curvo-me a teus desejos

Sem ti, nada sei, penso, ouço, sinto ou vejo

Fartos caminhos me ofereces

Fardos, espinhos, que apetecem


De bom grado retribuo

Trocas justas, cumplicidade

Destino, encanto mútuo

Eterna, interna vivacidade


Dama de prata

Proteja-me

Do ardor cru do vil metal

Lance em mim teu manto puro


Livra-me do mal letal

Arrasto-me, canto no escuro

Eleja-me

Sou aquele que mata


Que eu sinta o amargo rubro

A vida em renovação

O agridoce que abato e engulo

Ofereço a ti em adoração


Dama da noite, rainha fria

Estou aqui, teu fiel consorte

Não me libertes, sejas minha

Até o fim no abraço da morte

sábado, 19 de dezembro de 2009

CRIA DA LUA


Lua cheia, meu corpo incendeia
Instinto assassino, fúria na veia
Pêlos no corpo, sangue vivo na alma
Devorar carne e ossos é o que me acalma

Liberdade para correr, estranha luz do luar
Necessidade é viver, caçar, me alimentar
Incautos aqueles entregues à própria sorte
Destinados a encontrar em mim sua morte

Corram! Fujam! Escondam-se!
Não adianta lutar!
Morram! Tolos! Apavorem-se!

Pois a todos vou caçar!
Sou a fera, a cria forte da mãe lua
Cuidado você que caminha na rua

ESTRANHA SINA




Sol poente, novamente, despertar e prazer
Delimita sua vida, ou o sangue ou morrer
Caminha nas sombras, sob a luz do luar
Escondido nas lendas, sua sina é matar

Sedução sua arma, força eterna a reinar
Inocente a jovem, que o convida a entrar
Beijos e carícias, como poderia imaginar?
Que ele em mente só tinha sua veia a pulsar

Olhos rubros, dentes saltam
Brancos, afiados e fatais
Rasgam a pele e atacam

Drenando o viço dos mortais
A jovem cai, exangue e fria
Do pescoço, nenhuma gota escorria.